Juréia

 

 

- Um pouco de História...

O primeiro acesso à região da Juréia foi realizado na época de Martim Afonso de Souza, objetivando interligar a Capitania Hereditária de São Vicente à Iguape e Cananéia. Porém, o primeiro marco de ocupação aconteceu a mando do Imperador Dom Pedro I, que ordenou a construção do Caminho do Imperador na área. Este foi muito utilizado durante a Guerra do Paraguai, pois através dele transitava o Correio Del Rei (mensageiros que portavam notícias do conflito), tendo maior movimentação com o Marechal Rondon, que lá instalou pontes de ferro vindas da Inglaterra, ligando o Rio de Janeiro ao sul do país, e uma linha telegráfica.
Desde então a Juréia destacou-se por diversificados acontecimentos, os quais se intensificaram durante o século XX. Durante os anos 80, grande parte da área da Juréia foi escolhida pela NUCLEBRÁS para implantar duas usinas nucleares; Iguape 4 e Iguape 5, pois a coexistência de estações ecológicas e usinas nucleares representavam, simultaneamente, proteção de áreas naturais e tampão para o entorno das usinas. Neste contexto criou-se a Estação Ecológica da Juréia (1980), com 23.600 hectares, ficando proibido o acesso de qualquer cidadão que não fosse pesquisador ou cientista. Por outro lado, a Estação Ecológica da Juréia ficava salva  guardada da especulação imobiliária que se originou na década de 70. Por desistência do governo federal o programa nuclear não foi concretizado e, em 1985, a NUCLEBRÁS retirou-se do local, voltando a área a correr riscos de degradação, já que anteriormente fora preservada.
A imensa preocupação quanto ao destino da Juréia levou ambientalistas, políticos e organizações não governamentais à reivindicarem providências contra agressões de mais um paraíso natural, resultando na criação da Estação Ecológica da Juréia-Itatins, através do Decreto Estadual no 24.646, de 20 de fevereiro de 1986, que foi regulamentado pela Lei nº. 5.649, de 28 de abril de 1987, englobando a Serra dos Itatins e aumentando sua extensão para os atuais 79.245 hectares.Podem ser visitados na EEJI o Núcleo Itinguçu, a Vila Barra do Una, o Canto da Praia da Juréia e Praia do Guaraú.

Núcleo Itinguçu 
Bairro pertencente ao município de Iguape, localizado na face sul da Serra dos Itatins, a 18 Km do centro de Peruíbe, encontra-se dentro da Estação Ecológica Juréia-Itatins. A área utilizada pelos visitantes do Núcleo se concentra no Ribeirão Itinguinha, na altura da formação da Cachoeira do Paraíso. Conta com quatro quiosques, instalados na área do estacionamento, que servem bebidas e salgados, com área para piquenique, além de barracas situadas na estrada de acesso, que vendem licores e doces em compotas, típicos da região. O Núcleo também conta com uma escola e um posto de saúde que atendem à população residente nas proximidades.
O período de maior visitação acontece nos meses de janeiro, fevereiro, março e dezembro, enquanto maio e junho formam a época de baixo movimento no local.

População da Estação Ecológica.
A população local é conhecida como caiçara, sendo oriunda da fusão de portugueses, índios e negros. Estes últimos são os maiores cultivadores das tradições locais, como danças, crenças religiosas, alimentação, artesanato e atividades de pesca e caça. Os habitantes da região são, em sua maioria, pescadores, mateiros, caçadores, palmiteiros e caxeteiros (extratores da matéria prima para construção de lápis). Contudo, existem ainda posseiros (indivíduos que ocupam uma área há muito tempo, porém não possuem título de propriedade, ou aqueles que "abriram posse", subsistindo das atividades de cultivo e os que compraram direitos possessórios), fazendeiros, grileiros (indivíduos que tentam posse de território mediante falsas escrituras), caseiros (que trabalham para outro posseiro ou proprietário), meeiros (que trabalham como produtores sem serem donos da terra, e dividem parcela do produzido com o proprietário) e os comodatários (que ocupam a área sem ter vínculos empregatícios). A Estação Ecológica da Juréia-Itatins é administrada pelo Instituto Florestal, pertencente à Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo.

 

Links relacionados: http://www.unesco.org/whc/sites/893.htm

http://www.unesco.org/whc/archive/repcom99.htm#893  

http://www.wcmc.org.uk/protected_areas/data/wh/se_atlan.html

Link to WCMC Forest Programme

 

- Unidades de Conservação

As Unidades de Conservação possuem dispositivos legais que estabelecem restrições quanto às atividades que podem ser desenvolvidas em suas áreas, disciplinando o uso da terra e a ocupação humana na região. Em Peruíbe há quatro Unidades de Conservação, que detêm os principais atrativos turísticos naturais do município, como praias, rios, cachoeiras e ilhas. São áreas que apresentam legislação que condiciona a sua utilização, possibilitando assim a sua preservação e a manutenção das suas características naturais originais. É permitido o desenvolvimento de projetos que objetivem pesquisas científicas e conscientização ambiental.
As Unidades de Conservação de Peruíbe apresentam imenso potencial para a implantação do ecoturismo e do turismo de pesquisa, atraindo segmentos de mercado interessados em ter contato, observar e estudar os diversos ecossistemas preservados da região. Seguem abaixo:

 

* Área de Proteção Ambiental de Cananéia - Iguape - Peruíbe: Localizada na parte oeste e sul do município, abrange todo o entorno da E.E.J.I. Permite a visitação e a exploração sustentada;

* Parque Estadual da Serra do Mar: Decreto 10.251, de 30/08/77, 13.313, 06/03/79. Localizado a oeste do município, com área total de 309.938 ha. A ocupação do local é realizada por caiçaras e indígenas; responsabilidade: Instituto Florestal

* Área de Relevante Interesse Ecológico de Ilha Queimada Grande e Ilha Queimada Pequena: Localizadas no oceano Atlântico, à sudeste de Peruíbe, as ilhas possuem área de 23ha e se encontra sob fiscalização do IBMARNR, apresentando restrições quanto às atividades permitidas e quanto à presença humana;

* Estação Ecológica Juréia - Itatins (E.E.J.I.): Estação Ecológica Estadual - Lei 5.649, de 28/04/87 é considerada pela UNESCO como um dos cinco mais importantes estuários do mundo. Possui uma área de 79.245 hectares. Pertence aos municípios de Iguape, Peruíbe, Itariri e Miracatu. Na E.E.J.I. estão representados os principais ecossistemas de fauna e flora do litoral paulista. Devido à mata primitiva, à diversidade de ecossistemas e às áreas ainda intocadas, representa importante reduto ecológico. É administrada pelo Instituto Florestal e pertencente à Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo.

 

INFORMAÇÕES: Departamento de Meio Ambiente de Peruíbe: 0xx13.3455-7955